Designer foi à ModaLisboa para a primavera e verão 2025, mas não levou um desfile, apresentou, como revelou nas plataformas do certame, “quatro peças novas”.
“Recuso-me a fazer grandes quantidades de roupa enquanto não vender o que já fiz. A roupa não é um ovo ou um legume. Não apodrece de uma estação para outra”, acrescenta João Magalhães na memória descritiva que acompanha o trabalho que apresentou esta sexta-feira, 11 de outubro.
A escolha de O preguiçoso, o estilista quer, lê-se no mesmo documento, fazer “uma declaração deliberada contra a natureza insustentável da Indústria de Moda”. Críticas a que não escapam as semanas dedicadas ao setor: “que muitas vezes resultam apenas numa quantidade mínima de vendas e exposição internacional limitada”, sendo “constritivo e prejudicial”.
“Não posso dar-me ao luxo de fazer um desfile de Moda para que as pessoas possam fazer uma story no Instagram e seguir em frente. Tenho trabalhado como freelancer, o que limita o meu tempo. Não posso dar-me ao luxo de fazer um desfile, nem quero. Porque é que a arte é vista como um bem desejável por aqueles que a podem pagar, e a roupa é vista como supérflua, mesmo quando as técnicas utilizadas são intercambiáveis e o processo criativo é o mesmo?”, afirma citado na mesma nota.
Nesta performance crítica, Magalhães estava “dentro de uma jaula, como um animal de circo, para ser visto pelo público” enquanto trabalhava. “É como na minha vida real: o público quer assistir e sentir-se incluído, parte do meio da Moda… mas não quer, ou não pode, envolver-se com o produto. Os gostos no Instagram não pagam as minhas contas. Fui acusado de ser preguiçoso, por isso pensei… se sou visto como preguiçoso, então vou dar-vos um vislumbre de tudo o que está numa coleção antes de cortar um molde ou coser uma manga. Literalmente meses de pesquisa, leitura, pensamento, sentimento. Acrescentar e retirar”, descreve.