A agenda ainda não está finalizada, mas a obra e as escolhas da realizadora francesa radicada em Portugal desde 1952, Monique Rutler, vão ser um dos eixos de programação da Cinemateca Portuguesa, em setembro.
“Recuperamos a sua obra em setembro à qual juntamos uma carta branca, onde a realizadora escolheu apenas filmes realizados por mulheres”, avança a Cinemateca na apresentação da programação no regresso pós-férias. Ainda sem detalhar datas ou obras em reexibição, recorde-se que Monique Rutler, de 83 anos, realizou o “imensamente polémico” documentário O Aborto não é um Crime, de 1975, e que levaria a jornalista Maria Antónia Palla, mãe do ex-primeiro-ministro António Costa, ao banco dos réus.
“Vista de forma agregada, a obra de Monique Rutler, apesar de curta, revela o seu incessante envolvimento em causas sociais e políticas, dando particular atenção aos dramas da condição feminina (alguns dos seus filmes são sátiras ao machismo ou denúncias do sistema patriarcal), às fragilidades da terceira idade ou às potencialidades transformadoras do ensino”, vinca a Cinemateca, que destaca longas metragens de Rutler como Jogo de Mão (selecionado para o Festival de Veneza) e teve um trabalho de enorme relevo na área da montagem (foi uma das responsáveis pela forma final de As Armas e o Povo e montou o extraordinário Francisca, de Manoel de Oliveira)”.
Monique Rutler, apresenta ainda o organismo, “foi aluna da primeira turma da Escola de Cinema e membro das cooperativas Cinequipa e Cinequanon, onde montou e realizou vários filmes de cariz político”.