Nós, mulheres, andamos sempre atarefadas. Entre trabalho, família e o stress causado pela pandemia mundial, pouco tempo sobra para cuidarmos de nós. Mas, mesmo com tanta correria, não podemos descurar a nossa saúde. Um rastreio de cinco minutos pode salvar a sua vida e a vida das mulheres que lhe são tão queridas.
Os números falam por si: todos os anos, cerca de 300 mil mulheres perdem a vida no mundo devido ao cancro do colo do útero. Só em 2020, em Portugal, foram contabilizadas 865 mulheres diagnosticadas e 379 vítimas mortais – em média, morre por dia uma mulher vítima de cancro do colo do útero.
O cancro do colo do útero é o 4º tipo de cancro mais frequente nas mulheres mas a boa notícia é que é uma doença evitável. Rita Sousa, ginecologista do Instituto Português de Oncologia de Coimbra, afirma que “esta é uma doença que, com os rastreios, pode ser evitada e curada se detetada precocemente”.
De mães a avós, passando por filhas e melhores amigas, é importante chamarmos à atenção feminina para a necessidade de realização dos rastreios. Estes permitem a deteção e tratamento de lesões pré-cancerosas causadas pelo HPV, evitando a sua evolução para cancro.
Sabia que 80% das mulheres sexualmente ativas acabam por contrair uma infeção por HPV em algum momento das suas vidas? No entanto, a infeção pelo HPV por si só não significa que a mulher vá desenvolver um cancro. Há outros fatores de risco, nomeadamente o tabaco e fatores relacionados com imunidade.
Para as mulheres que, por receio da pandemia, têm adiado os rastreios, relembre-as que há cuidados que não se podem atrasar. “Não há que ter medo de o fazer. Trabalhamos com segurança e o rastreio demora apenas cinco minutos. Embora o tempo de progressão das lesões no colo do útero seja longo, é muito importante não descurar esta parte da nossa saúde”, explica Rita Sousa.
Segundo dados do Portal da Transparência, entre novembro de 2019 e igual mês de 2020, assistiu-se a uma redução de 10% no número de rastreios do cancro do colo do útero, justificada pela sobrecarga que a COVID-19 tem causado nos serviços de saúde. Muitas portuguesas viram-se afastadas dos cuidados de saúde de rotina mas é essencial que, cada uma, desempenhe um papel ativo na gestão da sua saúde junto do seu médico de família ou ginecologista.
Apesar da vacina contra o HPV fazer parte do plano nacional de vacinação desde 2008, Rita Sousa reforça que mesmo as mulheres vacinadas devem manter a participação no rastreio. Em Portugal, existe um programa nacional de rastreio que se destina a todas as mulheres dos 25 aos 60 anos e é feito com base num teste HPV. Se o teste for negativo, só precisa de ser repetido ao fim de cinco anos.
Nesta Semana Europeia de Prevenção do Cancro do Colo do Útero, celebrada entre 25 e 31 de janeiro, é fundamental relembrar a importância do rastreio e diagnóstico precoce. A mensagem #FazORastreioHPV e #AlertaAsMulheresDaTuaVida serve de mote para esta campanha apresentada pela Liga Portuguesa Contra o Cancro, com o apoio da Roche Sistemas de Diagnósticos.