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Ana Cabecinha marchou em Paris dois meses e meio após ter sido mãe e acabou em 43º

Fotografia de Henriques da Cunha/Global Images

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Conquistou a passagem para as olimpíadas de Paris pouco tempo antes de engravidar, não treinava desde agosto de 2023 e foi mãe há cerca de dois meses e meio num parto que culminou em cesariana. Mesmo diante destas circunstâncias, Ana Cabecinha foi o jogo esta quinta-feira, 1 de agosto. Acabou em 43º lugar, cerca de 20 minutos depois do ouro, mas a atleta algarvia arrancou aplausos.

A prova foi conquistada pela chinena Yang Jiayu, em 1:25.54 horas, e a portuguesa Vitória Oliveira terminou em 38.º lugar.

Na estreia, Vitória Oliveira, de 31 anos, cumpriu a prova em 1:36.22, enquanto Ana Cabecinha, na despedida olímpica, aos 40 anos, depois de dois sextos lugares (2012 e 2016), um oitavo (2008) e um 20.º (2020), fez 1:46.30.

A espanhola Maria Perez foi medalha de prata, a 25 segundos de Yang, enquanto a australiana Jemima Montag arrebatou o bronze, a 31. Apesar do 43.º posto e de ter ficado a 20.36 minutos da vencedora, a chinesa Yang Jiayu, a atleta portuguesa recebeu uma das maiores ovações do dia.

“Aceitei o que me foi proposto e estou muito feliz”

“Eu sempre disse que queria acabar a carreira em Paris, não neste estado, era a andar a lutar pelo grupo da frente, mas o destino quis que eu terminasse de outra forma. Eu aceitei o que me foi proposto e estou muito feliz”, declarou no final a marchadora portuguesa, que, aos 40 anos, se despediu da competição, numa corrida em que foi 43.ª.

Muito emocionada, Ana Cabecinha, que tem no seu currículo cinco participações em Jogos, com diplomas em Pequim2008, em que foi oitava, e em Londres2012 e Rio2016, nos quais foi sexta, manifestou a felicidade de ter cumprido o objetivo, mesmo depois de ter sido mãe há menos de três meses.

“Estou muito feliz por não ter baixado os braços, por ter todos os dias um bebé em casa tranquilo, que me tem deixado poder treinar e descansar. É a melhor medalha que uma mulher pode ter e culminar o fim de carreira aqui, com toda a família e com o meu filhote da parte de fora, é melhor do que aquilo com que sonhei”, disse a atleta do Clube Oriental de Pechão.

 

“Parecia que tinha ganho a prova e foi maravilhoso. Só tenho que agradecer a todos os adeptos da marcha que estavam no percurso, tenho que lhes agradecer, a portugueses e não portugueses. É bom saber que a minha carreira valeu a pena, deixar a marca na marcha valeu a pena, estes 28 anos valeram a pena, e estou muito, muito feliz”, afirmou.