Se é uma jovem mulher que venceu ou ainda está a lutar contra o cancro, então saiba que há investigadores da Universidade de Aveiro estão à sua procura para a levar a preencher um inquérito online (que pode consultar aqui)
O objetivo do Cintesis -Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde é avaliar as preocupações reprodutivas e outros aspetos psicológicos e sociais em jovens com cancro, para desenvolver programas de apoio psicológico destinados às necessidades dessas mulheres, que lidam com problemas de fertilidade.
“As consequências do cancro e dos tratamentos oncológicos na capacidade reprodutiva das mulheres em idade fértil tornam-se num fator de stresse adicional no decurso da doença e constituem uma ameaça aos planos de maternidade das jovens, para além de poderem interferir nas suas relações conjugais”, disse a investigadora Ana Bártolo.
O estudo, lê-se no site, destina-se a mulheres com idades compreendidas entre os 18 e os 40 anos, portuguesas e “com diagnóstico prévio ou atual de cancro”. A mesma nota indica que “se estiver grávida ou já tiver participado neste projeto de investigação também a decorrer no Instituto Português de Oncologia do Porto e de Coimbra e no Centro Hospitalar de São João no Porto, não deverá voltar a responder” ao inquérito.
“Não vou poder engravidar”, uma das perguntas mais recorrentes
Segundo explicou Bértolo, uma das perguntas colocadas por algumas mulheres mais jovens quando são confrontadas com um diagnóstico de cancro da mama ou ginecológico é: “E agora? Não vou poder engravidar?”
De acordo com os investigadores, “numa sociedade em que o papel da mulher como mãe é relevante e faz parte dos planos da maioria das mulheres, a ameaça à possibilidade de engravidar e de ter uma família tradicional constitui um foco de pressão acrescido, podendo ter implicações ao nível da saúde mental das sobreviventes oncológicas, nomeadamente no que se refere ao desenvolvimento de quadros de ansiedade e de depressão“.
“numa sociedade em que o papel da mulher como mãe é relevante (…) a ameaça à possibilidade de engravidar e de ter uma família tradicional constitui um foco de pressão acrescido”
“Com este estudo, pretendemos aferir junto deste grupo quais os aspetos psicológicos e sociais em que podemos intervir de forma mais atenta, sem perder de vista uma abordagem holística, com o objetivo de minorar o sofrimento e potenciar a reorganização dos seus projetos de vida que incluem, tantas vezes, a maternidade”, salientou Ana Bártolo, especialista em psicologia.
Embora seja mais prevalente entre os grupos etários mais velhos, há tipos de cancro com níveis de incidência assinaláveis que afetam as mulheres entre os 15 e os 39 anos.
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