
Quando, em 2017, o filho mais novo de Sofia Carvalho foi diagnosticado com alergias alimentares, as dúvidas em relação aos alimentos começaram a surgir e por isso, criou um blogue e começou a partilhar receitas sem leite.
Mais tarde, e em conjunto com a imunoalergologista Mariana Couto, criou o livro Alergias – Comer sem Medos [da editora Arena] para poder partilhar “mais sobre a alergia alimentar, compreender os alergénios e cozinhar sem medos”, refere a autora no livro.

Já nascido, há múltiplas formas de o bebé ficar sensibilizado e predisposto a esta alergia alimentar, o que pode acontecer através do biberão com Leite de Fórmula, que “pode também ser uma forma de sensibilizar o bebé”, e no leite materno, porque sintetiza e transfere, de certa forma, a alimentação da mãe.
A sensibilização pode ainda acontecer “através do contacto indireto com objetos contaminados como brinquedos ou chupetas” e por via cutânea, através de “cremes hidratantes, toalhitas de limpeza, etc. podem conter proteínas de leite vaca”, alerta a especialista.
Sintomas de que se está alérgico ao leite de vaca
Para saber se tem APLV há que estar atento aos sinais que este alergénico pode causar, e os sinais podem apresentar-se de diversas formas. Comichão, eczema atópico ou urticária são alguns sinais a nível cutâneo. Já a nível digestivo, caso esteja com comichão na boca ou na garganta, alguma dificuldade a engolir, com cólicas ou diarreia, ou esteja com dor abdominal ou com náuseas, fique atento.
É importante que tenha também atenção a sinais de hipotensão ou a algum tipo de dificuldade respiratória. Se notar que o seu corpo está a rejeitar o alimento, se sente mais irritado ou que o seu peso está a oscilar, tome atenção, porque estes também são alguns dos sintomas da APLV.
Dicas para lidar com a APLV
Seja para cozinhar em casa, seja para saber o que pode ou não pedir num restaurante ou o que escolher quando está de férias, Sofia Carvalho e Mariana Couto deixam algumas recomendações úteis para simplificar as decisões, sem comprometer a saúde.
No caso de querer ir a um restaurante, as autoras deve, antes de comparecer no espaço escolhido, “procurar o menu online e telefonar para falar com o gerente” e até, “com o chefe de cozinha” para que possa perguntar sobre os ingredientes e se “está confortável em servir pessoas com alergias alimentares.”
Se quiser ficar por casa e cozinhar, os cuidados a ter também são muitos, principalmente no que toca a escolher os ingredientes. No livro, Sofia Carvalho diz que, na “jornada como mãe de uma criança com APLV”, as idas aos supermercados dificultaram-se, por isso começou a aplicar certos princípios para simplificar a vida.
“Não comprar produtos” que tenham ingredientes que não sabe “o que significam”, comprar antes “produtos sem rótulo” e, na dúvida, “contactar o fabricante”, já que este é o único que “sabe o que o produto contém ou não”. Escolher “principalmente produtos simples e não processados” são algumas das técnicas que ajudaram Sofia a ter um dia a dia na cozinha mais facilitado, sugerindo ainda que, se possível, pode ainda fazer “praticamente tudo em casa, do zero ou quase.”
Já quando o assunto é viajar, as precauções a ter também são numerosas. É importante verificar “sempre a proximidade de centros de saúde e hospitais” do sitio onde vai ficar hospedado, assim como pesquisar, antes de viajar, “os supermercados e os restaurantes que existem e se estes podem satisfazer as suas necessidades”.