A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) revelou esta terça-feira, 12 de setembro, um relatório em que refere que Portugal está a viver “uma mudança geracional” nas escolhas de áreas de estudo, privilegiando as engenharias, indústria e construção. E nestes campos de estudo, o país supera a média da OCDE e da União Europeia, em termos de representação feminina.
“A paridade de género melhora ao nível superior, apesar de as mulheres ainda representarem aproximadamente apenas um em cada quatro novos estudantes de engenharia, indústria e construção. Por outro lado, as mulheres representam quase três em cada quatro dos novos estudantes nas áreas da saúde e ação social. Outros domínios – como gestão e administração de empresas e Direito, e ciências naturais, matemática e estatística – alcançaram praticamente a paridade de género entre os novos estudantes!”, resume, em termos gerais, o documento que analisa o estado da educação nos países da OCDE.
Sobre a referida “mudança geracional”, em Portugal, o relatório salienta que “enquanto há apenas 15% de diplomados em engenharia, indústria e construção com idades entre os 25 e os 64 anos, esta área representou a que mais graduados formou em 2015 no ensino superior (21%, que comparam com uma média de 14% na OCDE)”. Ou seja, 28% dos diplomados pelo ensino superior em Portugal, nesse ano, “graduaram-se em áreas científicas, tecnológicas, de engenharia e matemática, acima da média da OCDE de 23%”.
Por outro lado, “apenas 1% dos estudantes obteve um diploma em tecnologias de informação e comunicação (TIC), uma das percentagens mais baixas de todos os países da OCDE”, cuja média é de 4%.
Grau académico dos pais influencia mais do que o género
Outra das conclusões do estudo da OCDE é a de que quanto maior é a frequência académica dos pais maior a probabilidade de os filhos prosseguirem os estudos a nível superior, e dentro deste nos graus mais elevados (pós-graduações, mestrados e doutoramentos).
O relatório refere que a educação dos pais é o fator mais determinante nesse aspeto, superando o impacto do género e da idade, à exceção de um país: o Japão. Neste país, o género e a educação dos pais parecem ter a mesma influência para que os filhos levem os seus estudos superiores a um nível mais avançado.
Segundo o documento, nas mulheres com idades entre os 40 e os 49 anos, que têm pelo menos um dos progenitores com educação superior, a probabilidade de obterem formação académica superior ou um grau de estudos e investigação avançado aumenta em média 30% , na generalidade dos países da OCDE.
Investimento público
A OCDE fez ainda contas ao investimento público no ensino superior. Em Portugal, entre 2010 e 2014, os anos da crise económica e da intervenção externa da ‘troika’, houve uma quebra de 9% na despesa com o ensino superior público.
“Como o número de alunos no ensino superior também caiu nesse período, a quebra na despesa por aluno fixou-se nos 3%, mas contrariando um crescimento médio de 6% nos países da OCDE”, aponta o relatório.
Os 9.984 euros gastos por aluno do ensino superior (incluindo investigação científica), em 2014, em Portugal ficam milhares de euros abaixo da média de 13.507 euros da OCDE e dos 13.523 euros da média da União Europeia a 22 (UE22), destaca a agência Lusa.
Em 2016, a percentagem de portugueses entre os 25 e os 34 anos com um diploma do ensino superior era de 35%, um crescimento de 16 pontos percentuais face a 2005. Alargando a faixa etária até aos 64 anos, a percentagem de diplomados, em 2016, era de 24%, abaixo da média da OCDE de 37%.
Sobre outro tipo de encargos com a educação superior, o relatório mostra que a taxa de retorno dos custos (privados) com as mulheres a frequentar o ensino superior, em Portugal, por comparação com os custos gastos com as mulheres que concluem o secundário, é de mais 16%. Os cálculos incluem o efeito do desemprego, descontos e encargos sociais. A Turquia é o país da OCDE onde essa taxa de retorno é maior: 26%, ou seja, é onde compensa mais ser mulher e tirar uma licenciatura.
Ana Tomás