O Brasil registou um ato de violação sexual a cada seis minutos em 2023, totalizando 83.988 casos, segundo o 18.º Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado esta quinta-feira, 18 de julho, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
A organização, que recolhe os dados nas Secretarias de Segurança de todos os estados brasileiros para fazer o levantamento, concluiu que o total de violações registadas no país sul-americano cresceu 6,5% no ano passado face a 2022. A taxa de violações ficou em 41,4 para cada 100 mil pessoas.
Segundo o levantamento feito pelo fórum, a maioria das vítimas de violação foram crianças com até 14 anos de idade e pessoas vulneráveis (76%), do sexo feminino (88,2%) e negras (52,2%).
Dados que relatam uma situação cada vez mais degradada uma vez que as estatísticas referentes ao primeiro semestre do ano passado davam conta de um crime desta natureza perpetrado no território a cada oito minutos. Já nessa altura, em novembro de 2023, as autoridades brasileiras reportavam um aumento da prevalência de agressões face a igual período ele 2022, num aumento de 14,9%. De acordo com os mesmos dados então revelados, 74% das denúncias de estupro envolveram vítimas consideradas “vulneráveis”, ou seja, menores de idade ou pessoas incapazes de dar consentimento por doença ou deficiência.
Aumento de todas as modalidades de crimes contra as mulheres
Olhando ao detalhe para as estatísticas anuais de 2023 agora reveladas, a violência contra as vítimas com esse perfil geralmente aconteceu dentro de casa (61,7%), a maioria dos agressores era um familiar (64%) ou pessoa conhecida da vítima (22,4%).
Além dos casos de violação sexual, o levantamento mostrou que houve um aumento de todas as modalidades de violência praticada contra as mulheres no Brasil no ano passado.
O número de feminicídios subiu 0,8% no país, totalizando 1.467 casos em 2023. A maioria das vítimas de feminicídio eram negras (63,6%), com idade entre 18 e 44 anos (71,1%) e foram mortas em casa (64,3%). A maioria dos assassinos eram parceiros das vítimas (63%), ex-parceiros (21,2%) ou um familiar (8,7%).
As tentativas de feminicídio também cresceram 7,1%, totalizando 2.797 vítimas no ano passado. O levantamento detetou que as agressões decorrentes de violência doméstica subiram 9,8% (258.941 registos) no Brasil, os casos de ‘stalking’ ou perseguição cresceram 34,5%, (77.083 registos). Já os casos de importunação sexual aumentaram 48,7% (41.371 registos), tentativas de homicídio cresceram 9,2% (8.372) e registos de violência psicológica subiram 33,8%, com 38.507 denúncias.
CB com Lusa