Melania Trump está de regresso, aos 54 anos, ao papel da primeira-dama em mandatos não consecutivos. A mulher do reeleito (em mandatos não consecutivos, mas agora com vitória mais expressiva) presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, é, em 228 anos de história presidencial americana, a segunda primeira dama nascida fora do território. Antes dela, a estreia foi de Louisa Johnson Adams, mulher de John Quincy Adams, presidente de 1825 a 1829. Oriunda de Londres, era filha de britânica e de americano. Melania, natural da pequena cidade eslovaca de Novo Mesto, é filha de um vendedor de automóveis e de uma operária têxtil.
Como manequim, Melania posou para os maiores nomes da fotografia de moda, Helmut Newton e Mario Testino, por exemplo, e foi capa da Harper’s Bazaar, da New York Magazine e da Vogue (em fevereiro de 2005 apareceu com o vestido de noiva). A então modelo foi uma das maiores apostas do milionário italiano Paolo Zampolli que, nos anos 90 do século passado, criou em Nova Iorque a agência de modelos ID. “Eu e ele conhecemo-nos em 1995 pela primeira vez, numa agência de modelos em Milão”, contou Melania. “Ele adorou o meu portefólio e ajudou-me a continuar a minha carreira em Nova Iorque. Era um agente muito profissional e ainda hoje é meu amigo.”
Começou como modelo aos 16. “Americanizou-se, está mais bonita”, disse o autor das primeiras fotografias de Melania como modelo. Stane Jerko é um conhecido fotógrafo na Eslovénia e descobriu-a em 1987 num concurso de manequins na capital do país, Liubliana. Foi o início da carreira da jovem então conhecida como Melanija Knavs. Pouco tempo depois, mudou-se para Milão.
A antiga modelo diz que é formada em arquitetura pela Universidade de Liubliana, mas só lá andou durante alguns meses, segundo o jornalista esloveno Bojan Požar, autor de uma biografia de Melania. Ela terá estudado design numa escola secundária de Liubliana. Mas não é arquiteta.
É discreta, ou talvez tímida. Uma amiga de infância, Diana Kosar, disse numa entrevista que a Melania de hoje é igual à menina que conheceu. “Não gosta de ser o centro das atenções”, avaliou a amiga. O assunto surgiu numa entrevista que Melania deu à Harper’s Bazaar, com a revista a escrever que ela se considera discreta, mas não retraída. “Não sou tímida”, declarou, sem se alongar no tema.
Estreou-se nos EUA a 27 de agosto de 1996. Como se sabe? Durante a primeira campanha eleitoral das presidenciais de 2016, foi notícia que Melania terá trabalhado durante várias semanas nos EUA apenas com visto de turista, o que é ilegal. A mulher de Trump respondeu com a divulgação de pormenores sobre a chegada ao país. Não é certo que o equívoco esteja desfeito, mas ninguém disputa o rigor da data. Conseguiu autorização de residência permanente (“green card”) em 2001 e tornou-se cidadã norte-americana em 2006, um ano depois do casamento com Trump.
Na biografia recente que lançou e na qual se mostrou a favor do direito ao aborto, Melania conta que, no momento em que ela e Trump se conheceram, houve imediatamente “uma faísca inegável“. A versão de Paolo Zampolli, que terá apresentado Melania a Trump durante uma festa de modelos na discoteca Kit Kat Club, em Times Square, em novembro de 1998, conta que, nessa noite, Trump estava acompanhado por outra mulher, a “socialite” norueguesa Celina Midelfart,. Por isso, Melania recusou dar-lhe o número de telefone. Trump, em resposta, cedeu-lhe todos os seus contactos. Poucos dias depois, estavam a jantar no luxuoso Moomba. Afastaram-se por alguns meses em 2000.
No primeiro mandato do marido, Melania terá vivido por temporadas longe do marido, ficando com o filho de ambos, Barron Trump (agora com 18 anos), mas acabou por ter uma ala para desenvolver o seu trabalho. Em tempo de pandemia, instaurou, apesar das regras distintas do marido e presidente dos EUA, medidas de proteção para evitar a propagação do covid-19. A introdução do uso de máscaras, o respeito do distanciamento social, equipa de trabalhadores reduzida ao essencial e medição regular da febre foram medidas aplicadas na Casa Branca, mas apenas no segundo piso da ala leste e a pedido de Melania Trump, enquanto o país, por exigência do presidente, seguia indicações distintas.