Esta característica faz parecer todos mais atraentes

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[Fotografia: Pexels/Nathan Martins]

Mais de quatro mil pessoas foram convidadas a olharem para fotografias de passaportes de mulheres e homens, a que se agregavam descrições breves.

Uma vez visionadas as imagens do documento, os entrevistados deveriam classificar o quão atraentes consideravam que as pessoas das fotografias eram. Curiosamente, todas aquelas cuja descrição continha detalhes da prática de atos de gentileza foram automaticamente consideradas como mais bonitas e atraentes.

No estudo Prosocial behaviour enhances evaluation of physical beauty (Comportamento pró-social melhora a avaliação da beleza física, em tradução literal) e publicado em setembro, no British Journal of Social Psychologye que pode ser consultado no original aqui – os resultados que emergiram dos dez testes conduzidos pelos investigadores da Universidade israelita de Tel Aviv foram sempre os mesmos: as pessoas apresentadas como pró-sociais acabavam classificadas no topo da beleza física. “Ao nível individual, envolver-se em ações boas e benéficas pode promover avaliações mais favoráveis da própria aparência”, refere-se na análise.

Mas o que explica tal comportamento? Os investigadores elencam duas razões principais que parecem correlacionar atratividade física e generosidade. O efeito ‘halo’ afigura-se como o primeiro motivo e indica que os traços positivos de personalidade podem ganhar eco em múltiplos aspetos da avaliação, nos quais se inclui a beleza física. Num segundo patamar, a equipa de investigadores aponta para uma razão evolutiva da espécie, promovendo maior propensão para a reprodução com parceiros que se apresentem com gentis.

A equipa adverte, porém, para as limitações do estudo e, entre elas, a fraca diversidade de cenários apresentados à amostra ou mesmo se a apreciação final se mantém nos casos em que a gentileza é motivada pelo altruísmo ou antes pelo recurso a recompensas.