O surto de listeriose em Espanha, que começou em 15 de agosto, já afetou 186 pessoas, 99 das quais estão hospitalizadas, segundo as autoridades espanholas. Entre os hospitalizados estão 31 mulheres grávidas.
Segundo a agência Lusa, a Direção Geral de Alimentação e Veterinária alerta os viajantes que tenham como destino as regiões de Madrid e Andaluzia, para a necessidade de adoção de medidas preventivas, nomeadamente a eliminação de produtos da marca que eventualmente possam ter adquirido. As grávidas são um grupo particularmente vulnerável a esta infeção, causada pela bactéria ‘Listeria monocytogenes’ e habitualmente associada ao consumo de alimentos contaminados.
Os alimentos e produtos alimentares contaminados, mais frequentemente associados à aquisição de infeção, incluem: carne crua de vaca, porco ou aves, crustáceos, mariscos ou moluscos, leite e derivados não pasteurizados, frutas e vegetais crus ou mal lavados. Pode ainda ocorrer contaminação cruzada em alimentos processados, nomeadamente charcutaria e congelados, refere a informação da Direção-Geral da Saúde (DGS).
Apesar de pouco frequente, a infeção pode ser grave, especialmente em imunodeprimidos e recém-nascidos, avisa a DGS.
A transmissão da bactéria pode ocorrer nas seguintes situações, através do contacto direto com animais (em reservatórios), do consumo de alimentos e produtos alimentares contaminados, de origem animal e vegetal (processados ou não) e de mãe para feto (vertical) ou durante a passagem pelo canal de parto infetado.
De acordo com o organismo de saúde português, “na grávida, a maioria das infeções é assintomática ou mimetiza uma síndroma gripal. No entanto, pode ocorrer aborto, parto pré-termo, nado-morto ou doença grave no recém-nascido”.
A infeção pela bactéria de listeriose também pode afetar o recém-nascido, de duas maneiras: de início precoce, manifestando-se por prematuridade, sépsis ou pneumonia – nos casos mais graves, alerta a DGS, há a possibilidade de surgir “exantema papular, caracterizado histologicamente por granulomas (granulomatose infantiséptica)”; ou após a primeira semana, quando é de início tardio, manifestando-se habitualmente através de meningite.
Na grávida, o tratamento atempado pode prevenir a infeção no feto ou no recém-nascido. É, por isso, importante estar especialmente atenta aos sintomas e/ou assumir medidas de prevenção.
Se já está de férias em Espanha, é importante ter em atenção as recomendações do Ministério da Saúde espanhol, desde logo, para quem consumiu produtos da marca “La Mechá” e apresente algum sintoma de terem sido afetados pela bactéria. Ou seja, febre, calafrios, dores musculares, enjoo, vómitos, diarreia. Neste caso, deve consultar de imediato os serviços médicos. Mesmo que não tenha consumido produtos da referida marca, se tiver sintomas é aconselhável procurar aconselhamento especializado, já que Direção Geral de Saúde Pública da Junta da Andaluzia está a realizar testes a outros produtos da empresa Magrudis, de Sevilha, que produz os embalados de carne “La Mechá”.
Em Portugal, a Direção Geral de Alimentação e Veterinária esclareceu na quarta-feira passada, 21 de agosto, que a carne contaminada com a bactéria ‘Listeria monocytogenes’ da marca “La Mechá” e os produtos com origem no fabricante (Magrudis) espanhol, não são comercializados em território português.
Em todo o caso, a DGS deixa algumas recomendações de prevenção e controlo, que podem ser tomadas individualmente. Veja quais, na galeria acima. E consulte toda a informação sobre o assunto na página oficial do organismo.
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