Doença autoimune “complexa”, Lúpus consiste em ter o sistema imunitário a poder atacar qualquer parte do corpo como rins, cérebro, coração, pulmões, sangue, pele e articulações.
A comunidade científica tem visto o volume de estudos sobre as eventuais causas da doença a crescer, e Portugal integra esta listagem, também. No Porto, a investigação concluiu que as alterações na composição dos açúcares à superfície das células “confundem” o sistema imunitário e desencadeiam doenças autoimunes como o Lúpus. Contudo, uma nova análise internacional pode trazer mais ou novas peças para descodificar esta realidade.
Cientistas da Northwestern Medicine e do Brigham and Women’s Hospital descobriram a existência de um defeito molecular no sangue que, uma ver revertido, pode fazer a doença recuar. A investigação foi publicada já este mês na revista científica Nature, trazendo esperança para quem sofre desta doença, cuja incidência se reflete sobretudo nas mulheres (mais de 90% dos casos) e em idades precoces (dos 15 aos 45 anos, em média).
“Ao identificar uma causa para esta doença, encontrámos uma cura potencial que não terá os efeitos secundários das terapias atuais”, afirma, citado em comunicado, o co-autor da investigação, médico dermatologista e professor associado de dermatologia da Northwestern Medicine, Jaehyuk Choi.
Os pesquisadores referem ter encontrado “mediadores específicos que podem corrigir esse desequilíbrio para amortecer a resposta autoimune patológica”, acrescenta, na mesma nota, o co-autor, professor assistente de medicina na Harvard Medical School e reumatologista no Brigham and Women’s Hospital, Deepak Rao. Uma análise (que pode ser lida no original aqui) que põe em evidência alterações associadas à doença em múltiplas moléculas no sangue de pacientes com lúpus.
A equipa de investigadores afirma querer aplicar esforços no sentido de “desenvolver novos tratamentos” para estes doentes, procurando “encontrar maneiras de fazer chegar essas moléculas de forma segura e eficaz” a quem padece da doença autoimune.