O que é que a fadista Ana Moura e as designers Ana Rita de Sousa, Vera Fernandes e Lidija Kolovrat têm em comum? Por estes dias, as quatro tomaram a decisão de usar de organzas e translucências para mostrarem, sem receios, os mamilos.
Se a primeira escolhe fazê-lo na gala dos Globos de Ouro, há cerca de duas semanas, provocando o falatório nacional ao escolher usar uma peça de 2002 da estilista belga do minimalismo Ann Demeulemeester e que permitia mostrar os seios, as restantes três usaram o palco da ModaLisboa, que decorre este fim de semana, para lembrar que a escolha de cada mulher será sempre tendência. E não foram as únicas.
Tanto Ana Rita de Sousa, pela Arndes, como Vera Fernandes, pela Buzina (em parceria com a Tous) e Lidija Kolovrat apostaram nas transparências, nas propostas para primavera-verão 2025, como tendência para o ano que aí vem.
Com mais ou menos pano, a libertação do corpo da mulher sem julgamento moral parece estar para ficar, fazendo eventualmente jus às razões de Ana Moura e que a levaram a escolher aquele look, que recolheu tantos aplausos, como ameaças, como a própria revelou.
À motivação profissional, Ana Moura elencou razões pessoais para eleger a escolha de uma peça de arquivo, de 2002, da designer minimalista belga Ann Demeulemeester e que tem de ser usada assim, “com aquela delicadeza e sem nada para baixo, ou melhor, com o meu corpo”.
“É o peito de uma mãe que acabou de amamentar, sem ajuste, e que vejo com muita beleza porque foi um momento que me fez ganhar também muita confiança, olhar para o meu corpo de uma outra maneira e de o celebrar de outra forma”, acrescentou, falando num momento “realmente libertador”.
“Senti que este momento [os Globos de Ouro] pedia isto, por isso, vamos embora. Senti-me segura, com serenidade, no momento, livre. E quando saí da passadeira vermelha e entrei no elevador pensei: ‘grande Ana’”, risos.