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ModaLisboa acompanha e reinterpreta ousadia de Ana Moura

Lidija Kolovrat, Buzina X Tous e Arndes para primavera/verão 2025, na ModaLisboa [Fotografia: Montagem/ Ugo Camera]

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O que é que a fadista Ana Moura e as designers Ana Rita de Sousa, Vera Fernandes e Lidija Kolovrat têm em comum? Por estes dias, as quatro tomaram a decisão de usar de organzas e translucências para mostrarem, sem receios, os mamilos.

Se a primeira escolhe fazê-lo na gala dos Globos de Ouro, há cerca de duas semanas, provocando o falatório nacional ao escolher usar uma peça de 2002 da estilista belga do minimalismo Ann Demeulemeester e que permitia mostrar os seios, as restantes três usaram o palco da ModaLisboa, que decorre este fim de semana, para lembrar que a escolha de cada mulher será sempre tendência. E não foram as únicas.

Tanto Ana Rita de Sousa, pela Arndes, como Vera Fernandes, pela Buzina (em parceria com a Tous) e Lidija Kolovrat apostaram nas transparências, nas propostas para primavera-verão 2025, como tendência para o ano que aí vem.

Arndes para primavera/verão 2025, na ModaLisboa [Fotografia: Ugo Camera]
Buzina X Tous para primavera/verão 2025, na ModaLisboa [Fotografia: Ugo Camera]
Lidija Kolovrat para primavera/verão 2025, na ModaLisboa [Fotografia: Ugo Camera]
Mas não foram as únicas a fazê-lo.

Béhen para primavera/verão 2025, na ModaLisboa [Fotografia: Ugo Camera]
Mestre Studio para primavera/verão 2025, na ModaLisboa [Fotografia: Ugo Camera]
 

Com mais ou menos pano, a libertação do corpo da mulher sem julgamento moral parece estar para ficar, fazendo eventualmente jus às razões de Ana Moura e que a levaram a escolher aquele look, que recolheu tantos aplausos, como ameaças, como a própria revelou.

Fadista Ana Moura na passadeira vermelha dos Globos de Ouro, em 2024 [Fotografia: Instagram/Ana Moura]
Recorde-se que, como lembrou Ana Moura em entrevista ao podcast do humorista Bruno Nogueira, a opção de mostrar o peito foi pensada e decidida até 15 minutos antes de pisar a passadeira vermelha. “Eu estava a celebrar [nos Globos de Ouro] o facto de estar lançar um single novo e que foi escrito e inspirado num ensaio de escritora norte-americana Audre Lord, Os Usos do Erótico: o Erótico como Poder, e no qual ela redefine o verdadeiro significado do erótico e que a sociedade atual, patriarcal, tende a confundir com pornográfico”. E prossegue: “Ela [a autora e poetisa] acha que são coisas diametralmente opostas. O erótico é a transcendência das emoções, qualquer experiência que envolve emoção. A verdade é que a mulher foi habituada a reprimir várias formas de se expressar, e isso impede-nos de viver aqueles momentos com toda a plenitude, até com o nosso próprio corpo. E esta minha nova música fala sobre isso, tem um videoclipe com coreografia especifica em hells, dança saltos altos, e que reclama muito o lado do erótico e do sensual”.

À motivação profissional, Ana Moura elencou razões pessoais para eleger a escolha de uma peça de arquivo, de 2002, da designer minimalista belga Ann Demeulemeester e que tem de ser usada assim, “com aquela delicadeza e sem nada para baixo, ou melhor, com o meu corpo”.

“É o peito de uma mãe que acabou de amamentar, sem ajuste, e que vejo com muita beleza porque foi um momento que me fez ganhar também muita confiança, olhar para o meu corpo de uma outra maneira e de o celebrar de outra forma”, acrescentou, falando num momento “realmente libertador”.

“Senti que este momento [os Globos de Ouro] pedia isto, por isso, vamos embora. Senti-me segura, com serenidade, no momento, livre. E quando saí da passadeira vermelha e entrei no elevador pensei: ‘grande Ana’”, risos.