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Mortalidade infantil aumentou com a perda do direito ao aborto, nos EUA

Manifestantes pró-aborto em Atlanta, Georgia, durante um protesto de emergência após ter sido conhecido o documento do Supremo Tribunal norte-americano que quer proibir este direito [Fotografia: Erik S. Lesser/EPA]

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Os efeitos da perda de direitos à Interrupção Voluntária da Gravidez nos Estados Unidos da América está a levar a aumento da mortalidade neonatal. Para lá das consequências físicas e psicológicas já demonstradas no volume de mulheres violadas que são obrigadas a levarem a gestação a termo, para lá dos efeitos sociológicos de uma medida desta natureza, para lá do número de abortos ter inclusivamente aumentado, um novo estudo da revista JAMA Pediatrics vem demonstrar que restringir o aborto não é sinal de mais bebés.

A investigação publicada recentemente (e que pode ser lida no original aqui) concluiu que “a proibição do aborto no início da gravidez no Texas em 2021 foi associada a aumentos inesperados nas mortes de bebés e neonatais no Texas, entre 2021 e 2022”. Na análise é especificado que “as anomalias congénitas, que são a principal causa de morte infantil, também aumentaram no Texas, mas não no resto dos EUA”.

Para os investigadores, “os resultados sugerem que políticas restritivas de aborto podem ter consequências importantes não intencionais em termos de trauma para as famílias e custo médico como resultado do aumento da mortalidade infantil”.

Recorde-se que a reversão dos direitos reprodutivos e o aborto são um dos temas da campanha presidencial que opõe o republicano Donald Trump à democrata Kamala Harris. O primeiro foi responsável por, no primeiro mandato presidencial, tomar medidas e fazer nomeações que levaram ao recuo de direitos, a segunda já prometeu devolver os direitos às mulheres a um nível deferal.

Digno de nota ainda o facto a antiga primeira dama, Melania Trump, ter lançado recentemente uma autobiografia onde se manifesta pelo direito ao aborto, numa clara posição contrária à do marido e candidato presidencial.