
Era um dos desfiles mais aguardados da temporada, fosse pelo facto de ter sido interrompido há seis anos, fosse ainda pela polémica que causou relativamente à imagem corporal e à invisibilidade do transgénero a que votava, fosse pela quebra acentuada de audiências. Mas ele regressou esta noite de terça-feira, 15 de outubro, ao som de Cher e Tyla e mais inclusivo de sempre.
A marca de lingerie Victoria’s Secret, que chegou a contar com a portuguesa Sara Sampaio, trouxe modelos supersized como a icónica Ashley Graham, trouxe novos talentos, modelos transgénero – Valentina Sampaio e Alex Consani – mas também mulheres mais velhas – Kate Moss, Carla Bruni, e Tyra Banks -, provando que a sensualidade é uma prerrogativa ao alcance de todas.






O desfile, transmitido em 185 territórios e que tem sido classificado pelos internautas como algo “aborrecido” e sem “brilho”, assinalou o regresso de anjos que são imagem da marca como Alessandra Ambrosio, Tyra Banks e Adriana Lima, as manas Gigi e Bella Hadid, mas também novas apostas como Taylor Hill e Barbara Palvin.
As luzes deste desfile, recorde-se, apagaram-se em dezembro de 2018, quando foram registadas as piores audiências de sempre, menos de 1/3 do que quatro anos antes, em 2014, totalizando cerca de três milhões de pessoas. A par desta queda somava-se também o menor volume de vendas de uma insígnia que apostava em corpos idílicos e que foi acusada promover a magreza excessiva.
O fim do desfile foi comunicado em maio de 2019, através de email enviado aos funcionários no qual era dito que o conceito do desfile teria de ser revisto e que a televisão já não era o “meio ideal” para o fazer. “A moda é um negócio de mudança” e que “é preciso evoluir e desenvolver para crescer”. Por esse motivo, a marca estará focada em “desenvolver conteúdo entusiasmante e dinâmico e outro género de evento”, que chegará aos consumidores através de plataformas digitais. Informação avançada à data por Lex Wexner, CEO da L Brands, detentora da Victoria’s Secret e citada pelo site noticioso CNBC.
Recentemente, a história destes desfiles foi alvo de uma minissérie, que abordou também as ligações da empresa com o falecido Jeffrey Epstein, ex-diretor de marketing da marca, acusado em 2018 de assédio e, em 2019, de tráfico sexual de raparigas menores de idade, que levou, na altura, a que mais de 100 modelos subscrevessem uma petição a pressionar a empresa a juntar-se ao programa que combate o assédio e abuso sexual na indústria.
O desfile foi criado em 1995 e contou com nomes de relevo como Gisele Bundchen, Heidi Klum e Adriana Lima. Taylor Swift e Rihanna também chegaram a participar no evento.