Uma mulher de 41 anos, funcionária de uma pastelaria, de nacionalidade brasileira, é suspeita de ter funcionado, nos últimos sete anos, como uma “fábrica de bebés”: recebia encomendas de crianças, feitas por emigrantes na Suíça, França e Luxemburgo.
O processo, revelava esta sexta-feira, 21 de dezembro, o jn.pt, passava pela conceção dos bebés em relações sexuais com um amante, vivia a gravidez, dava-as à luz e depois vendia-as por preços, pagos às prestações, que chegaram a ultrapassar os 20 mil euros. Publicamente, alegava abortos em fim de gestação para explicar a perda dos bebés, mas vizinhos estranharam e denunciaram às autoridades.
Por indícios de quatro crimes de tráfico de seres humanos e falsificação de documentos, a Polícia Judiciária (PJ) deteve, em Vila da Conde, a mulher, funcionária numa pastelaria do Porto, e o indivíduo, empreiteiro de construção civil, de 45 anos. Terão sido comercializadas quatro crianças, entre 2011 e 2017.
Segundo a agência Lusa, o casal foi ouvido no Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto, tendo sido decretada prisão domiciliária à mulher e apresentações periódicas às autoridades para o seu companheiro, disse fonte policial ligada ao processo.
A investigação policial foi efetuada durante “vários meses” e foi “complementada com buscas domiciliárias” efetuadas na quarta-feira, onde foi recolhido “acervo de matéria probatória relevante relacionada com os factos em investigação”.
Segundo o diretor Polícia Judiciária do Norte, Norberto Martins, a investigação iniciou-se devido a uma “denúncia anónima” e relatos de que uma “senhora tinha sucessivas gravidezes, mas que nunca ninguém viu ou conheceu as crianças”. “As crianças seriam geradas com o objetivo de serem vendidas”, acrescentou Norberto Martins, durante a conferência de imprensa da PJ do Norte, na quinta-feira à tarde.
O diretor revelou também que as quatro crianças, a mais velha nascida em 2011 e a mais nova em 2017, terão sido “vendidas a cidadãos europeus“, e que entre as famílias de destino “existem portugueses”.
Os bebés nasceram em Portugal, mas desconhecem-se as circunstâncias dos partos e dos nascimentos, nomeadamente se em casa ou em hospitais, acrescentou Norberto Martins, referindo ser possível dizer que as crianças não estarão numa situação de perigo.
Esta força policial acredita que, após os nascimentos, o casal suspeito da prática de crimes de tráfico de recém-nascidos falsificava os documentos das crianças, designadamente no que toca à paternidade.
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