
“Quem vem de fora” tem de adaptar-se à “comunidade que os recebe”. Esta é a ideia, polémica, defendida pela responsável governamental pela integração. Aos deputados, Louise Casey – que já tinha sido alvo de críticas em dezembro por ter dito que a integração no Reino Unido não tem de ser encarada como “uma estrada de dois sentidos” – sustenta que os migrantes devem prestar um juramento de fidelidade, segundo o qual se comprometem a tentar incluir-se nas comunidades que os recebem, bem como a aprender as regras de convivência em sociedade em vigor.
Os novos migrantes têm de conhecer “as regras do jogo”, define a responsável. “É interessante verificar, após uma volta pelo país, que ninguém lhes falou sobre a nossa forma de viver a vida, onde colocar o lixo, ninguém lhes explicou como fazer fila ou ser simpático”, afirma. Por isso, ela própria sugere a criação de um “juramento de integração”, segundo o qual os novos migrantes aceitam os valores britânicos. Um símbolo que, no seu entender, pode promover a ideia da “responsabilidade para com todos”.
“É interessante verificar, após uma volta pelo país, que ninguém lhes falou sobre a nossa forma de viver a vida, onde colocar o lixo, ninguém lhes explicou como fazer fila ou ser simpático”, afirma Louise Casey, responsável governamental pela integração
“Não acho que [a integração] seja uma estrada de dois sentidos. Creio que isso é uma frase que as pessoas gostam de dizer. Diria que, se nos mantivermos focados na analogia da estrada, a integração é mais como uma sangrenta autoestrada e nós temos um caminho estreito de pessoas que chegam de fora”, sustentou.
![A britânica Louise Casey, responsável governamental pela integração [fotografia: gov.uk]](http://www.delas.pt/files/2017/01/louise-casey.jpg)
Esta tomada de posição, reforçada agora perante os deputados, tem por base um inquérito em torno da coesão comunitária no Reino Unido, encomendado a Louise Casey ainda pelo anterior primeiro-ministro David Cameron. Nele se conclui que, durante mais de uma década, os governos falharam nas tentativas de integração social no país. Uma situação que se agrava com a escala, sem precedentes, de novas chegadas ao país.
Entre as minorias étnicas que mais chamam à atenção pelo seu isolamento estão as comunidades muçulmanas do Paquistão e do Bangladesh
De acordo com o mesmo relatório, há comunidades que se tornaram ainda mais isoladas e divididas, havendo registos de algumas que não sabem sequer falar a língua. Entre as minorias étnicas que mais chamam à atenção pelo seu isolamento estão as comunidades muçulmanas do Paquistão e do Bangladesh. A responsável alerta ainda para as tendências segregacionistas das comunidades, com maior risco para a discriminação e misoginia.
Sem olhar a moderação nas palavras, Casey lembrou as sucessivas tentativas para incrementar a integração que não foram além “dos saris, das chamuças e dos tambores para os que já estavam bem-intencionados” e acusou o governo de falhar gravemente na forma como tem abordado a coesão social ficando “bem aquém da ambição em ‘fazer mais do que qualquer outro governo para promover a integração’.”
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